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Julho 25, 2012

                                               Andrade Paes 1965

PARALELO

 

Dentro da água eu sou exacta.

 

Minhas mãos buscam ( não como defuntas mãos

segurando por acaso translúcidas algas)

mas abandonadas.

 

Entre a areia lúcida do fundo

e a claridade caíndo predestinada,

meu corpo não é morto

mas se deslassa.

 

A mesma transparente identidade

brota de mim e da água,

e deslizam indiferentes a nós

pequenos peixes de prata.

 

A tranquila vaga que me sustém

e onde o meu rosto quieto se alaga,

é tão nítida e simples como eu

que resvalo sem rumo na límpida estrada.

 

Sem vestido ou lembrança

onde o conhecimento se desfaça,

meu cabelo se alonga

e prossigo descalça.

 

As nuvens que me perseguem

são de água

e se desdobrarão

no vento que as desata.

 

Glória de Sant’Anna in Livro de Água,1961 pag.12

One Comment leave one →
  1. Laís Naufel permalink
    Agosto 9, 2012 8:21 pm

    A profª Carmen Tindó me indicou este blog. Gosto muito dos poemas da Glória, estou, agora, montando um pré-projeto sobre a poesia dela para concorrer a uma vaga no curso de Mestrado, na UFRJ, no Rio de Janeiro, no Brasil.

    Parabéns pelo blog! São lindas as pinturas!

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