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MOTIVO ANTIGO

Agosto 30, 2012

Mar claro,

tranquila água

– por meu sorriso

de mágoa.

 

Céu longo,

nuvem redonda

– por meu olhar

de sombra.

 

Caminho andado,

areia rude

– por meu rosto

de amargura.

 

Glória de Sant’Anna in Livro de Água, 1961 pag.43

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  1. Fernanda Angius permalink
    Agosto 31, 2012 12:02 am

    O mar como espelho e identificação do eu lírico. O olhar que se ergue ao céu e se arredonda fitando a imensidade circular do horizonte. Nuvem e sombra de si própria, A contensão máxima da linguagem deixa no poema o vínculo profundo que que se fixa na areia, metonímia de praia, onde os passos vincados fixam a própria amargura de um caminho andado.
    Neste poema de Glória de Sant’Anna uma vez mais se lê uma profunda ligação ao meio ambiente, ao universo que se apreende com o olhar, olhar que se eleva e se inclina nessa eterna viagem entre terra-mar-céu. Viagem serena onde a mágua é clara como a água do mar e, tal como ele, por natureza salgada. A mágoa da primeira estrofe não se dilui na água mas vem arrastada na areia rude a incrustar-se, materializada no “rosto de amargura” do eu lírico.
    Fernanda Angius

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