Skip to content

DESDE QUE O MUNDO

Junho 4, 2014

A terra está ficando toda de sangue
toda de sangue
e mil olhos nos olham de lá do fundo

Cada corola que rompe vem cheia de sangue
cheia de sangue
e traz no centro um olho duro

As faces, as faces, as faces quietas
que eram de carne e são de terra
e os dentes, os dentes, os dentes dispersos
por entre de dentro no meio das pedras

E orelhas, orelhas, deitadas escutando
escutando esperando escutando esperando
os passos e o pulso e as vozes e o fumo
e o vento e a chuva e o rodar do mundo

E comendo a fome de sangue da terra

entre ossos e pele
entre ossos e pele

gusanos, gusanos, gusanos, gusanos
repartindo tudo

 

Glória de Sant’Anna in Desde que o Mundo e 32 Poemas de Intervalo, 1972, pag.19

One Comment leave one →
  1. Maria Leonor de Brito Miranda Barata Lopes dos Santos permalink
    Junho 5, 2014 1:04 am

    Muito belo:)”””

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s