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NOCTURNO

Março 21, 2016

Dentro dos finos dedos das árvores quietas

a noite dorme um longo sono transparente

 

junto das tépidas aves de olhos ausentes

da clara madrugada que ainda não surgiu.

 

O esparso e denso azul silêncio ressente-se

e simula agitar-se a uma brisa ténue que não existe.

 

(e contornaria os muros pálidos e inertes

sem tocar o secreto e desconhecido íntimo das pedras).

 

Tudo se contém no contorno fixo do seu limite.

 

Só o mar se desdobra e reflecte inquietamente

a vigília inútil e cansada das estrelas.

 

Glória de Sant’Anna in Um Denso Azul Silêncio 1965, p.65

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