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GRITOACANTO

Julho 7, 2017

porque tem que ser que ninguém saiba (ou suspeite)

para que entre vós e eu não se levante

uma inútil e alheia espada

oculta em cada caule de cada flor lançada

à minha fronte

 

tem que ser navegando a longa noite

o meu rosto como proa ao mar largo

sem bússola ou sextante ou estrela polar

para que entre vós e eu não se levante

a neblina da inquietude

 

quero-vos assim e vogareis nas palavras

que hajam de ser ditas mesmo assim tão ténues

estareis parecendo

que ninguém saberá  a força com que me destruis

porque vos estou  sopeando e contendo

 

e acharão natural que sob uma ou outra flor

lançada à minha fronte

haja um vago palor de fadiga e de assombro

 

Glória de Sant’Anna in Gritoacanto 1970-1974 – Amaranto, 1988

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