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Fevereiro 24, 2016

BR para GdSA c

 

Bridget Rust, para Glória de Sant’ Anna, 1999

http://www.bridget-rust.com/profile.aspx

Recado

Dezembro 21, 2015

Si me muero lejos
sepúltame en el mar
dentro de las algas ignorantes
y lúcidas.

Cúbreme el rostro de palabras
antiguas
y de música.

Deja en mis dedos
el recuerdo más reciente
de otras cosas incontables

y en mi pelo
el incierto movimiento
del viento y la lluvia.

Bogaré bajo las estrellas
con pálidas luces entre las pestañas
y pequeños caramujos
entrarán en mis oídos.

Estaré así idéntica
a todos los motivos

 

Glória de Sant’Anna in Música Ausente, 1954 – Tradução de

http://opoemaquehojepartilhariacomvoces.blogspot.com.es/search/label/Gl%C3%B3ria%20de%20Sant%E2%80%99Anna

In TEMPO AGRESTE

Dezembro 19, 2015

GdSA no Noticias da Beira 20 de Agosto de 1969 no site

   Glória de Sant’Anna – Notícias da Beira,  Moçambique, 1969

A CORUJA

Novembro 21, 2015

tem asas de uma grande envergadura

e no brando lusco fusco matutino
volta a cabeça e olha-me

eu pergunto: és ATENA?

e do seu vulto quase transparente
tomba lenta uma pena

e o bico adunco
solta o que parece um largo riso

as asas fecham

e eu solto também o meu sorriso
pra lá do lusco fusco

ao dia que se acende

 

Glória de Sant’Anna – Outubro de 2008, Jornal de Válega

CÂNTICO

Outubro 4, 2015

do longe mais longe
a chama d’angústia
o murmúreo
a culpa
o grito
a ternura

do longe mais longe
surge

trespassa-me o peito
sendo espada nua

 

Glória de Sant’Anna in Trinado para a Noite que Avança – 2009 

AFONSO

Agosto 27, 2015

reconheces as costas africanas
como havendo o soprar de um vento novo
nos ramos velas dessas caravelas
que comandas Diogo

 

e com Antão Gonçalves e Gomes Pires navegas
à cobiça já feita ao Rio do Oiro

 

entras também na frota dos que a Arguim
sugam pelos olhos largos sua fome
o mesmo Antão e o Garcia Homem

 

e frente a Arguim mais um cabo vos cabe
aquele ali Antão o do Resgate

( resgate a quê a quantos muitos negros
trazes para Lisboa por que medos )

– e o Infante em Viseu clama o seu quinto
do lucro dessa gente prisioneira –

ai navegantes das lusas grandes barcas
de que sois capitães e sois negreiros

1444/1445

Glória de Sant’Anna in Não Eram Aves Marinhas, 1988

Gritoacanto 1970-1974

Julho 18, 2015

porque tem que ser que ninguém saiba (ou suspeite)
para que entre vós e eu não se levante
uma inútil e alheia espada
oculta em cada caule de cada flor lançada
à minha fronte

tem que ser navegando a longa noite
o meu rosto como proa ao mar largo
sem bússola ou sextante ou estrela polar
para que entre vós e eu não se levante
a neblina da inquietude

quero-vos assim e vogareis nas palavras
que hajam de ser ditas mesmo assim tão ténues
estareis parecendo
que ninguém saberá a força com que me destruis
porque vos estou sopeando e contendo

e acharão natural que sob uma ou outra flor
lançada à minha fronte
haja um vago palor de fadiga e de assombro

 

Glória de Sant’Anna in Gritoacanto 1970-1974 – Amaranto, 1988