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ANTE ( o rosto de Azur )

Julho 12, 2016

de sangue salgado se vestem

estas minhas palavras

e é sangue e sal o que escrevo

e mágoa

 

da verdadeira impossibilidade de lágrimas

 

tudo já ultrapassa

o tecido da face que vos apresento

ou não molhada

 

nem (reparem) nem um grito

seria a expressão exacta

já nem

 

porque como tudo um grito

é um facto que se estilhaça

e acaba

 

Glória de Sant’Anna in Gritoacanto, 1970 -1974 – Amaranto, 1988 p. 229

NOCTURNO

Março 21, 2016

Dentro dos finos dedos das árvores quietas

a noite dorme um longo sono transparente

 

junto das tépidas aves de olhos ausentes

da clara madrugada que ainda não surgiu.

 

O esparso e denso azul silêncio ressente-se

e simula agitar-se a uma brisa ténue que não existe.

 

(e contornaria os muros pálidos e inertes

sem tocar o secreto e desconhecido íntimo das pedras).

 

Tudo se contém no contorno fixo do seu limite.

 

Só o mar se desdobra e reflecte inquietamente

a vigília inútil e cansada das estrelas.

 

Glória de Sant’Anna in Um Denso Azul Silêncio 1965, p.65

Fevereiro 24, 2016

BR para GdSA c

 

Bridget Rust, para Glória de Sant’ Anna, 1999

http://www.bridget-rust.com/profile.aspx

Recado

Dezembro 21, 2015

Si me muero lejos
sepúltame en el mar
dentro de las algas ignorantes
y lúcidas.

Cúbreme el rostro de palabras
antiguas
y de música.

Deja en mis dedos
el recuerdo más reciente
de otras cosas incontables

y en mi pelo
el incierto movimiento
del viento y la lluvia.

Bogaré bajo las estrellas
con pálidas luces entre las pestañas
y pequeños caramujos
entrarán en mis oídos.

Estaré así idéntica
a todos los motivos

 

Glória de Sant’Anna in Música Ausente, 1954 – Tradução de

http://opoemaquehojepartilhariacomvoces.blogspot.com.es/search/label/Gl%C3%B3ria%20de%20Sant%E2%80%99Anna

In TEMPO AGRESTE

Dezembro 19, 2015

GdSA no Noticias da Beira 20 de Agosto de 1969 no site

   Glória de Sant’Anna – Notícias da Beira,  Moçambique, 1969

A CORUJA

Novembro 21, 2015

tem asas de uma grande envergadura

e no brando lusco fusco matutino
volta a cabeça e olha-me

eu pergunto: és ATENA?

e do seu vulto quase transparente
tomba lenta uma pena

e o bico adunco
solta o que parece um largo riso

as asas fecham

e eu solto também o meu sorriso
pra lá do lusco fusco

ao dia que se acende

 

Glória de Sant’Anna – Outubro de 2008, Jornal de Válega

CÂNTICO

Outubro 4, 2015

do longe mais longe
a chama d’angústia
o murmúreo
a culpa
o grito
a ternura

do longe mais longe
surge

trespassa-me o peito
sendo espada nua

 

Glória de Sant’Anna in Trinado para a Noite que Avança – 2009 

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